No Domingo, 24 de Junho, segundo dia do Festival, o entusiasmo estava à solta. O público muito jovem aguardava com ansiedade para ver Bruno Mars. O haitiano de 32 anos não deixou os seus créditos por mãos alheias, apresentou um espectáculo eficiente e profissional. Cantou, dançou e encantou o público mais jovem. Celebrou-se o Soul, o Funk, o R&B, os músicos tocaram e dançaram acompanhando o cantor nas coreografias, o trabalho cénico foi irrepreensível. Há quem diga que Bruno Mars é o Michael Jackson dos nossos dias, as referências estão lá, não será descabida a comparação, mas falta o rasgo criativo de Jackson. Tudo em Bruno Mars é pensado para resultar bem e ser eficiente, um espectáculo bem desenvolvido, desde a interacção com os músicos e com o público, ao jogo luzes.
As canções que toda a gente conhece como That’s why i like”, “Locked out of heaven”, Marry me” e baladas cheias de sentimentalismo como seja “When i was your man” com piano e voz deixaram os corações, adolescentes e não só, ao rubro.
O público agradece, chega a haver um certo ar de veneração, ou não estivessem 85 mil espectadores no recinto, um verdadeiro mar de gente, na expectativa de ver o cabeça de cartaz com os bilhetes esgotadissimos dias antes do concerto.
A preceder Bruno Mars, estiveram também no palco mundo, palco principal, Demi Lovato e Annita, fenómeno de popularidade do funk brasileiro.
Demi Lovato, cantora pop das massas, saída do universo Disney, como muitas outras cantoras americanas das últimas décadas, não trouxe nada de novo, um roteiro vocal banal associado a uma popzinha indistinta. Contudo o público não foi exigente, vibrou na mesma com os temas mais conhecidos como sejam, “Daddy issues” ou “Stone Cold”.
Annita, a brasileira que diz representar os “funkeiros do Brasil”, gerava alguma expectativa com a sua aura de transgressão associada a uma pitada de sensualidade/sexualidade.
Um grupo de dançarinos, ritmos dancehall, reggaeton e funk rechearam a sua actuação. Na segunda parte um Dj e um mural desenhado em tempo real conferiram um incremento artístico ao espectáculo.
Foi visível a sensualidade e sexualidade nas canções e nas danças e aflorou-se um pouco a atmosfera dos bailes funk brasileiros, sem contudo se revelar na totalidade. Cremos que o baile funk, puro e duro, terá algo mais, mais irreverente, mais sexual e mais genuíno. Contudo, não nos podemos esquecer que o Rock in Rio é um festival familiar pelo que esta abordagem mais suave do espectáculo pareceu compreensível.
Referência ainda para Agir que aqueceu os corações na abertura do espectáculo. Acedeu a trazer ao palco dois espectadores para um pedido de casamento, momento único que sem dúvida ficará na memória dos intervenientes. E já agora, a resposta ao pedido foi “claro que sim”.
Texto: Carla Cruz
Fotografia (em actualização): Rúben Viegas















