Marés Vivas TMN 2011

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Ambiente

Dia 14

Pitt Broken e Anaquim

Por volta das 18h começaram a entrar os primeiros festivaleiros para a 9ª edição do “Marés”, que é já um dos maiores festivais no panorama nacional. A abrir os concertos do primeiro dia, estiveram os Pitt Broken, dando assim início aos concertos do Palco Moche. O bracarense Diogo Lima, e vocalista, em conjunto com a restante banda cativaram muitas dezenas de espectadores que desta forma se foram juntando no recinto. “Bad Romance”, cover de Lady Gaga, foi o momento mais alto do espectáculo. Anaquim seguiu-se entrando em palco com o seu habitual bom humor transportado para a música, enchendo o palco com os cinco elementos que compõem a banda. Entre outros temas interpretaram “A Vida dos Outros” e “O Meu Coração” que, por falta de orçamento, explicou o vocalista, em vez de Ana Bacalhau trouxeram o “pedal bacalhau”, ou seja, um pequeno pedal que emulava a voz da vocalista de Deolinda a partir da de José Rebola. Pequenos excertos de temas vintage como os que ilustram a Mafia italiana no filme “The Godfather”, não deixaram ninguém indiferente, enriquecendo a o espectáculo e enchendo de energia os festivaleiros naquele fim de tarde.

Natiruts

Pisaram pela primeira vez um palco nacional em 2005 e desde então têm enchido as plateias portuguesas de público descontraído, despreocupado e com consciência ambiental. Natiruts não são apenas uma banda de reggae mas também uma grande fonte de música brasileira capaz de pôr de pé qualquer festival. Estavam ainda cerca de 300m de festivaleiros nos portões de entrada, quando Natiruts iniciaram o concerto pelas 22h. As primeiras músicas foram já de álbuns antigos, como por exemplo “Beija-flor”, que despertaram o público, deixando para uma fase mais tardia “Reggae Power” e “Liberdade pra dentro da cabeça”. Alexandre Carlo Cruz ressalvou que Portugal, além de passar por um período de crise continua a fazer bons festivais, pois “a cultura é um investimento”!

Xutos & Pontapés

Mesmo depois de “cansarem” o público com tantos concertos dados num espaço de tempo tão curto na cidade do Porto, os icónicos heróis do Rock português, fizeram levantar as orelhas dos menos despertos, iniciando o concerto com cinco temas bem conhecidos, tocados de enfiada: “Sémen”, “Ai se ele cai”, “ À minha maneira”, “ Não sou o Único” e “O mundo ao contrário”. De seguida Zé Pedro, o foco de todas as atenções, agradeceu todas as orações, todo o apoio e energia que recebeu na fase de recuperação, citando: “Isto é que me faz bem”! Desfilaram uma setlist interessante com temas acústicos como “Homem do Leme” e “Maria”, que demonstrou um pouco o aspecto cansado que a banda apresenta actualmente.

Manu Chao

Vinte e cinco mil espectadores (lotação esgotada) despediram-se de Xutos para transferir toda a sua energia para a grande atracção da noite. Manu Chao começou o espectáculo faltando quinze minutos para as duas horas da madrugada, e em poucos minutos já havia poeira, suor e grupos de dançarinos ao acaso por todo o lado. A mistura de punk e reggae, cantada em todas as línguas que o francês conhece, trouxe a Vila Nova de Gaia perto de duas horas de euforia, adrenalina e alegria. O francês não arranjou o palco de cores, nem de luzes e muito menos se fez notar pela interacção com o público, apenas se limitou a encher a alma de todos os que o escutaram de música sem fronteiras e raízes, mesmo aqueles que estavam em cima de sinais de trânsito e bicicletas fora do recinto.

A primeira noite da nona edição de um dos maiores festivais nacionais terminou ao som dos DJs no Palco Moche.

Dia 15

Classificados

Seguiram-se os Classificados que repetiram a presença no Marés Vivas. Pop/Rock português de grande qualidade e energia, interpretada pelo multifacetado Serafim Borges, que assumiu, uma vez mais, voz, teclados e guitarra. A interacção com o público foi um dos pontos fortes deste concerto, obtendo sempre respostas bastante audíveis de miúdos e graúdos que aos poucos e poucos encheram o Palco Moche. Começaram com temas do último álbum “Perdidos e Achados”, deixando para uma fase mais tardia temas do primeiro álbum. “Só em ti (me reconheço)” e “Um segredo fechado” fizeram todo o público cantar e participar no espectáculo, que se revelou de grande qualidade, prometendo novas presenças no futuro.

Expensive Soul

Pela primeira vez no Marés Vivas, os Expensive Soul abriram o palco TMN no segundo dia de festival, enchendo o palco de cor, talento e movimento. Demo e New Max, incansáveis, não pararam de correr e de puxar pelo público que rapidamente correspondeu à energia que vinha do palco, formando um imenso manto de braços que se movimentavam enquanto milhares de vozes cantavam em uníssono ao ritmo de músicas como “Eu não sei” e “O Amor é Mágico”. “Este está a ser o melhor concerto deste ano” – palavras de Demo a meio de um concerto que de facto foi um enorme marco na carreira da banda nortenha. É de realçar o grande momento que a banda está a viver e a grande interactividade que teve com o público, agradecendo imenso a presença e o apoio incansável que lhes deram durante a actuação.

Skunk Anansie

Explosivo. Assim podemos descrever Skin e Skunk Anansie. O grupo britânico, excelentemente bem liderado pela já conceituada Skin, “partiu” tudo o que havia para partir. Rockalhada extremamente competente e baladas melodiosas prenderam (muito) público no recinto. Com muito brilho das suas asas douradas, a cantora dirigiu-se pela primeira vez ao público, dizendo um simples mas sincero “Obrigada”. Temas como “Yes Its Fucking Political”, “Secretly”, “Hedonism” e “Weak” colocaram à prova os dotes vocais do público. “ Vocês são espectaculares”, disse Skin. Este foi, sem dúvida, um candidato aos melhores concertos do festival.

Moby

Ao passo de Skunk Anansie, Moby fez as delícias de quem procurava som electrónico mas igualmente estrondoso e enlouquecedor. Durante cerca de duas horas, o recinto do MVTMN transformou-se numa discoteca gigante que, mesmo após o concerto de Skunk Anansie, não viu um esqueleto parado. O norte-amaricano subiu ao palco com um concerto bem preparado, iniciando a actuação ao piano, passando o foco para a cantora que o acompanhou, que interpretou “In my heart” a plenos pulmões. Prosseguiu com os sucessos que todos conhecemos como “Go”, “Why does my heart feel sob bad?” e “Flower”. Abriu uma “disco-party” pelas duas horas da madrugada onde fundiu o som electrónico com o R&B e Rap, criando uma aura incrível que se misturava com as cores e as luzes do palco, criando algo fenomenal e muito próprio. Com muitos “obrigado” e dedicações das músicas, despediu-se do Marés Vivas, deixando o povo muito satisfeito!

A segunda noite da nona edição de um dos maiores festivais nacionais terminou ao som dos DJs no Palco Moche, destacando-se o DJ Kicko.

Dia 16

Mia Rose

Último dia de Marés Vivas em Vila Nova de Gaia e que grande forma de lhe dar o pontapé de início. Mia Rose inaugurou o terceiro dia do festival, no Palco Moche, ainda sem muitos espectadores que como sempre, no abrir de um festival são difíceis de arrecadar. Porém, o single “Let Go” e a sua versão de “Paixão” de Rui Veloso, fizeram aparecer na arena os mais distraídos e fez cantar os atentos.

Os Azeitonas

Os Azeitonas seguiram-se com grande estilo. A tenda encheu totalmente e de entre aplausos abusivos pode-se ouvir “Café Hollywood”, “Quem és tu miúda?” e “Anda comigo ver os aviões”. É uma banda já bastante conhecida e respeitada de todo o público português, que em português escreve um caminho bastante promissor e que deve ser encarado de uma séria e confiante.

 

Aurea

A portuguesa Aurea abriu o Palco TMN do terceiro dia do Marés Vivas. Nem com a chuva a cair continuamente em cima do público, este não deixou de se apresentar a tempo e horas na fila da frente, para reservar lugar. Com a sua voz doce e energética, e sempre muito interactiva com o publico, tocou “Tower of Strenght”. De seguida “Busy”, um dos maiores sucessos da cantora não deixou ninguém calada e “afastou” toda a chuva. Houve ainda uma versão diferente de “Kiss” de Prince, que carregou o aspecto de mulher Rock’N’Roll que aparenta. Foi de resto uma presença muito interactiva com o público deixando frases de muitos agradecimentos e “vocês são os maiores”.

Tindersticks

20 anos de carreira são de facto uma longa história desta banda britânica, que com um tom melancólico e sem com sorte com o tempo, não conseguiu cativar a atenção do público. Porém todos aqueles que mais se identificam com a banda ficaram para o concerto e tiveram tudo aquilo que esperavam da atuação destes senhores, liderados pela voz empolgante de Stuart Staples. Foi de resto um concerto que esteve longe dos principais deste Marés Vivas, mas que não deixou de receber uma grande ovação na sua despedida de mais uma presença em terreno nacional.

The Cranberries

Com algum do “adormecimento” causado pelos Tindersticks, era hora de alguém fazer valer a noite. Foi então que entrou em palco The Cranberries que com pouco fizeram muito. “Analyse”, “Just my imagination” e “Animal Instinct”, letras bem conhecidos do publico português fizeram renascer o festival que se voltou a esquecer da chuva, uma vez que a banda já o tivera feito. Percorreram álbuns antigos e não esqueceram de propagar os recentes tendo durante a actuação uma fraca interacção com o público. Porém para quê falar quando a presença em palco resume tudo e faz valer tudo? Sem dúvida uma grande prestação. Ainda com uma pequena falha nas luzes que escureceu a banda, a banda nunca parou até que a campainha sua-se e em grande estilo deixaram o palco principal.

Mika

Depressa passou um dos maiores festivais do país, que viu como última estrela no palco principal Mika. Com grande aparato entrou num palco muito bem preparado, mesmo que alagado, com quadros gigantescos que fizeram crescer as espectativas do publico, 22 mil. Com tantas energias guardadas e fasquia elevada, só podia explodir quando “Relax”, “We are strong” e “Love today” se fizeram ouvir. Este inicio deveu-se muito certamente à chuva e às correntes de ar frio que se faziam sentir, pelo que era necessário aquecer as almas e corações, para que assim o ambiente melhorasse. De entre Pop e baladas, Mika teve ainda tempo e espaço para demonstrar mais uma vez o belo entertainer que é, fazendo todas as suas teatradas musicais, enriquecendo desta forma o espectáculo. Nem todas as almas são de ferro e houve alguma desistências face à chuva e ao vento que se fez sentir.

O Marés Vivas TMN despediu-se da praia do Cabedelo para voltar no próxima ano, prometendo um festival maior, de quatro noites, com mais artistas. Esperemos para ver e participar neste grande festival de música!

Jornalista: André Guimarães

Fotógrafo: João Ribeiro

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