DEAD COMBO

AULA MAGNA
3 de Maio de 2012
Na passada quinta-feira, Tó Trips e Pedro Gonçalves deram uma aula (não fosse o local escolhido a Aula Magna) sobre o seu tão consagrado projecto, Dead Combo, ao reviverem em mais de 2 horas de concerto os seus já 10 anos de existência.
A matéria leccionada percorreu todos os álbuns da dupla de músicos, tendo havido, no entanto e compreensivelmente, um maior aprofundamento no estudo do mais recente trabalho “Lisboa Mulata”, lançado em 2011. Com o primeiro volume, “Vol. 1”, os Dead Combo patentearam a sua sonoridade tão singular, mas foi no ano passado, com “Lisboa Mulata”, que a fórmula parece ter ganho a sua consistência final, num estilo coeso e único, uma marca praticamente. As influências das criações da banda são conhecidas e reconhecíveis nas suas composições: o fado, o tango e flamenco, um cheirinho africano e, obviamente, as bandas sonoras dos antigos westerns. E é esta combinação de referências tão pouco evidente aliada à criatividade dos músicos que fez dos Dead Combo um “género musical português internacional”.
E digo português porquê? Não é só pela nacionalidade dos músicos nem pela evidente influência do fado nos seus temas, é também pelo facto de as canções de Dead Combo serem elas próprias um estudo sobre outro tema: Lisboa, a inspiração e o palco das criações da banda. Falo, por exemplo, da recente “Anadamastor”, dedicada à Ana, que trabalha no bar Adamastor em Santa Catarina, ou da clássica “Assobio”, inspirada no assobio de Vasco Santana no Pátio das Cantigas, ou ainda de “Pacheco”, (estreia absoluta em concerto) que é dedicada ao guitarrista Pacheco, da fadista Hermínia Silva, que, segundo Tó Trips, “gostava de beber uns copos”.
Entre o incrível número de 32 temas interpretados na Aula de quinta-feira, incluíram-se aquelas três canções. Foi muita fruta, mas os Dead Combo não estiveram sempre sozinhos em palco, tendo pedido assistência às Víboras do Chiado, à Royal Orquestra das Caveiras e a Camané. O fadista, que, entre outros, participou no último trabalho de Dead Combo, interpretou com a banda três temas, um deles muito especial: “uma aventura” no tema de José Mário Branco “Inquietação”. Foi um dos momentos mais intensos do espectáculo, verdadeiramente inquietante muito à custa da voz poderosa de Camané.
A Royal Orquestra das Caveiras pisou o palco logo a seguir à saída do fadista e não deixou arrefecer o ambiente, muito pelo contrário, interpretando temas como “Cuba 1970”, “Desert Diamonds” e “Blues da Tanga”. Dead combo aproveitaram ainda para a apresentar “Operação Outouno”, tema da banda sonora do filme ainda não estreado com o mesmo nome, do realizador Bruno Almeida.
O encore, obrigatório tal era o estado de espírito da plateia, foi a última surpresa da noite, tendo-se iniciado com “Cacto”, a pesada e primeiríssima canção de Dead Combo, e terminado com uma das mais recentes, precisamente aquela que dá nome ao último álbum, “Lisboa Mulata”. O concerto, um crescendo de intensidade, termina portanto no seu auge, com Tó Trips a requisitar bailarinos entre o público para dançar com a sua Lisboa Mulata.
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Alinhamento:
Rumbero
Sopa de Cavalo Cansado
Cachupa Man
Anadamastor
A Menina Dança
O Assobio
Quando a Alma Não é Pequena
Putos a Roubar Maçãs
Aurora em Lisboa
Morninha do Inferno
Cowboy’s Cure for Jah
Pacheco
Esperanza
Like a Drug
Esse Olhar Que Era Só Teu
Ouvi o Texto Muito ao Longe
O Vendaval
Inquietação
Cuba 1970
Manobras de Maio
Desert Diamonds
Lusitânia Playboys
Blues da Tanga
Mr. Eastwood
Operação Outono
Rodada
Old Rock’N’Roll Radio
Marchinha do Santo António Descambado
Encore
Cacto
Eléctrica cadente
Malibu Fair
Lisboa Mulata
Texto: Filipa Leite Rosa
Fotografia: Rodrigo Vargas















