Super Bock Super Rock
1º dia (5 de Julho de 2012)

Começou ontem a 18ª edição do Festival Super Bock Super Rock, a 3ª realizada na Herdade do Cabeço da Flauta (Meco, Sesimbra). Dois aspectos suscitaram desde cedo alguma curiosidade na edição deste ano: as melhorias no recinto prometidas pela organização e a afluência de público face ao cartaz menos chamativo. Tirando a “relva” plantada em frente ao palco principal que conferiu um verde extra ao recinto, pouco mudou. A menor quantidade de pó registada poderá dever-se tanto às alterações referidas, como à menor afluência de público.
Pouco passavam das 20:00h quando os portuenses Salto subiram ao palco principal para apresentar o seu álbum de estreia, depois de terem passado pelo Festival Novos Talentos Fnac. As poucas centenas de pessoas não desmotivaram a banda, com o seu vocalista a querer “ouvir barulho”. Depois dos primeiros temas o público aqueceu, sobretudo em “Deixa Cair” e “Por Ti Demais”. A recta final do concerto foi marcada por uma tonalidade mais smooth em sintonia com o ambiente no recinto. Chamados à última da hora devido ao cancelamento de Pete Doherty, os Salto foram uma banda competente e simpática. Despediram-se com um “obrigado Meco” a anunciaram os senhores que se seguiram, os lisboetas Capitão Fausto.
SALTO
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THE HAPPY MESS
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A audiência já mais numerosa entusiasmou a banda que tocou praticamente em lusco-fusco. Passada a introdução, Tomás Wallenstein puxou pelo público que correspondeu durante a maior parte do concerto. O rock directo e as letras fáceis de cantar, tornaram os Capitão Fausto uma das revelações mais recentes da nova música portuguesa. A banda esteve confiante, segura e não se limitou a despachar serviço. À semelhança de Salto, também passaram pelo Festival Novos Talentos Fnac. Apesar de cantaram em português a sua sonoridade anda próxima dos setubalenses The Doups, herdeiros lusos da sonoridade post-punk que tem marcado a década de 2000, na linha de Franz Ferdinand ou Bloc Party, precisamente a banda que se seguiria.
CAPITÃO FAUSTO
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ALABAMA SHAKES
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Quando a Bloc Party, os londrinos vieram apresentar algumas das músicas do seu próximo álbum “Four”, o primeiro em quatro anos depois de “Intimacy”. De uma das bandas mais badaladas de meados de 2000, os Bloc Party sem terem desiludido, parecem acusar alguma falta de rotina. Depois do fulgor dos primeiros álbuns, a banda adoptou as electrónicas, uma espécie de ensaio para a bem sucedida carreira a solo de Kele. Se pensarmos que, em 2010, a continuidade da banda esteve por um fio, é bom tê-los de volta, mas precisam de algo mais para serem uma banda ao nível dos seus contemporâneos. Apesar do carisma de Kele, essa aura não passa para o resto da banda. Quanto ao concerto, assistimos ao desfile de alguns clássicos que ainda estão bem vivos na memória de muitos. “Banquet” foi responsável pelo primeiro levantamento de pó da noite. Os temas mais dançáveis mexeram com o público, o mesmo não se verificando com os novos, praticamente desconhecidos ainda.
BLOC PARTY
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Antes de Incubus, um salto mais que justificado ao palco secundário para ver Bat For Lashes. A imagem de Natasha arrebata, a sua música não fica atrás e o público, em número bastante significativo, marcou presença deixando-se envolver pela sonoridade etérea. O ambiente “à parte” do palco secundário foi o ideal para receber o projecto londrino que actuou pela primeira vez em Portugal, onde não foram esquecidos os temas mais populares como “Daniel” e “Pearl´s Dream”, entre outros.
BAT FOR LASHES
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De volta ao palco principal, os Incubus já actuavam há alguns minutos perante uma pequena multidão que, apesar de tudo, não deveria ultrapassar as dez mil pessoas. Apesar de serem um nome importante do rock alternativo do período pós-grunge, a banda liderada por Brandon Boyd, quebrou a alinhamento que vinha a ser seguido. Apesar disso, tiveram o mérito de fazer deslocar um público fiel e em número significativo. A organização podia ter optado antes por Franz Ferdinand, que irão actuar no Festival Marés Vivas brevemente. Seria seguramente uma escolha mais coerente, no seguimento de Bloc Party.
INCUBUS
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Terminada a actuação de Incubus, assistiu-se a uma debandada geral justificada tanto pelo tardar da hora como pelo tipo de sonoridade que se seguiu. Por momentos temeu-se que os Hot Chip fossem tocar para um recinto desoladoramente vazio, mas a coisa compôs-se. Depois do banho de gente de 2010 (a banda teve o cuidado de o referir), surge em palco Alexis Turner e companhia para um desfile de êxitos que, ao longo de uma hora, fizeram dançar alguns (poucos) milhares ainda presentes. Os problemas de som não foram suficientes para estragar a festa e os Hot Chip tiveram o público na mão da primeira à última música. São uma banda vibrante e que sabe o que faz (o teclista diverte-se e diverte o público). Sarah Jones é uma baterista sensual que não passou despercebida, em contraste com a imagem tipicamente “nerd” da banda. Até mesmo o mais recente single, “Night na Day” de “In Your Heads”, foi extremamente bem recebido. Quando se pensa que os Hot Chip, mais tarde ou mais cedo, vão dar um passo em falso, acabam por contrariar (e bem) as probabilidades.
HOT CHIP
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BATTLES
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Em resumo, podemos concluir que este primeiro dia relativamente morno foi uma espécie de aquecimento para os restantes. É muito provável que o público vá aumentado gradualmente até Sábado, embora longe dos números da edição do ano passado. O facto de haver menos gente tem as suas vantagens, sobretudo para o festivaleiro. A circulação dentro do recinto torna-se mais fácil, permitindo usufruir do espaço com mais conforto. A música continua…
Texto: Bruno Viera
Fotografia: Rúben Viegas















