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The Walkmen: TMN ao Vivo

THE WALKMEN

TheWalkmen-19

TMN AO VIVO

4 de Novembro de 2012

Sempre que um concerto é transferido de uma sala para outra de menor dimensão a poucos dias de se realizar, à primeira vista só poderá significar que a venda de bilhetes ficou aquém do previsto. Este aparente “fracasso” poderá ser embaraçoso para músicos ou bandas caprichosos, não é o caso dos The Walkmen, para quem o tamanho da sala pouco parece importar, quando o que está em causa é a entrega despretensiosa à arte que praticam. Qualquer sala de espectáculos, independentemente do tamanho, fica bem na fotografia quando está cheia. Foi desta forma que o TMN Ao Vivo recebeu The Walkmen, depois do concerto da banda nova-iorquina ter estado inicialmente previsto para o Coliseu de Lisboa. Há males que vêm por bem e para bem do espectáculo, foi uma alteração benvinda.

Em jeito de introdução, “Line By Line”, tema do mais recente longa-duração da banda, editado este ano, abriu o concerto com pontualidade quase britânica, depois de Filho da Mãe ter assegurado a primeira parte do espectáculo. Num palco despojado de artifícios, a sobriedade da banda seria apenas quebrada pela exuberância contida do vocalista. O início de “The Love You Love” manteve a toada calma do tema anterior mas rapidamente evoluiu para o ritmo a que os The Walkmen nos habituaram. Seguiu-se “Heartbreaker” do mesmo álbum, findo o qual Hamilton Leithauser com a sua característica voz roupa, se dirigiu pela primeira vez ao público com um muito obrigado. Por esta altura já todos perceberam, mesmo aqueles que não estavam certos da energia de “Heaven”, que este foi mais um tiro certeiro que em nada fica a dever aos seus antecessores. Enquanto “Blue As Your Blood” embala, “Angela Surf City” leva pela primeira vez o ambiente ao rubro. Seguiu-se “On The Water”, que bem podia ser uma música de Richard Hawley. Destaque ainda para os deliciosos exercícios de guitarra ritmo em “Woe Is Me” e “Donde Está La Playa”. Os imprescindíveis “In the New Year” com a sala totalmente iluminada e “The Rat”, o primeiro e inesperado êxito da banda (com palmas espontâneas pelo meio), não foram esquecidos, assim como “Love Is Luck” e “Heaven” que apesar de recentes já podem ser considerados praticamente clássicos. É nisto que reside a essência de fazer música sem comercialismos nem pressas. Os The Walkmen gostam, acima de tudo, de trabalhar para quem aprecia genuinamente a sua música e as coisas vão acontecendo naturalmente e bem. Desasseis temas volvidos e cerca de hora e meia depois, o concerto chega (provisoriamente) ao fim. O público queria mais e na curta pausa que se seguiu ouviu-se em couro o que ainda restava de “Heaven”. Aos insistentes pedidos de “I Lost You”, a banda correspondeu no regresso ao palco para o encore final. E foi precisamente aquele tema o primeiro a fazer-se ouvir, seguido do único representante do álbum de estreia homónimo “Everyone Who Pretended to Like Me Is Gone”. O final ficaria por conta de “Another One Goes By”, com a voz de Leithauser a fazer lembrar Dylan. Por momentos fomos transportados para o ambiente de baile de finalistas do liceu, onde não faltou sequer a bola de espelhos a girar. Sem surpresa, o alinhamento privilegiou os temas do último álbum num total de seis. “Lisbon” e “You & Me” emprestaram quatro músicas cada. As restantes cinco vieram dos primeiros três álbuns. Para os fãs do início pode ter sabido a pouco, mas com “Heaven” ainda fresco, o destaque foi naturalmente para os temas deste, mais próximos dos que terão apanhado o comboio a partir de “Lisbon”. A magnífica luz da nossa capital é apontada como inspiradora dos primeiros raios de sol na música dos The Walkmen, definitivamente confirmados em “Heaven”.

Da mesma forma que Lisboa não tem segredos para os nova-iorquinos (já por cá passaram algumas vezes), também a sua música deixou de ser um segredo bem guardado. A disputar o mesmo campeonato de bandas como Arcade Fire ou The National, os The Walkmen parecem caminhar à sombra dos seus contemporâneos. Esta aparente falta de ambição desvaneceu-se definitivamente em “Heaven”, que revelou uma banda renascida e iluminada. Um adeus aos fantasmas do passado, se é que alguma vez existiram.

FILHO DA MÃE

THE WALKMEN

Texto: Bruno Vieira

Fotografia: Eugénio Martins

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