Trêsporcento

RITZ CLUBE - LISBOA
APRESENTAÇÃO DO ÁLBUM "QUANDRO"
14 de Novembro de 2012
Na semana que se seguiu ao lançamento de “Quadro”, os Trêsporcento apresentaram-no no Ritz Clube, sala que se encheu para receber a banda lisboeta. A primeira parte foi assegurada pelos Capitão Capitão que, para além da cidade, também partilham a mesma casa mãe dos primeiros, a Azáfama, editora independente fundada em 2010. Os Capitão Capitão parecem empenhados em juntar-se ao comando de outros capitães da nova música portuguesa. Na passada quarta-feira puderam demonstrá-lo, pela primeira vez em trio, e pelo que vimos sairam-se bem. Ao longo de meia hora tocaram sete temas, o último dos quais “Memórias Curtas (Em Curtas Memórias)”, o novo single do primeiro álbum que aí vem, para além dois temas do EP de estreia homónimo, entre outros. Marcada pela guitarra acústica, a música dos Capitão Capitão tem tudo para seduzir os apreciadores de indie folk.
Faltavam vinte minutos para as onze quando os Trêsporcento subiram ao palco do Ritz Clube. Ouviu-se “É Tudo Tão Fácil” do álbum de estreia “Hora Extraordinária”, seguido de “A Medida Do Tempo”, tema que introduziu o novíssimo “Quadro”. As semelhanças com Bloc Party (do tempo de Silent Alarm) são evidentes assim que soaram os primeiros acordes. Tal como outros nomes do novo rock português, os Trêsporcento cresceram musicalmente ao som do revivalismo pós-punk dos Anos 2000 e souberam trazer essa inspiração para a sua música, sem que soasse a colagem. Por cá as referências podem ser encontradas em nomes como Linda Martini de que são exemplos “Quero Que Sejas Minha” e “Dás a Mão e Não Sentes”, este último do EP de estreia homónimo da banda, o primeiro tema a aquecer o ambiente da sala.
De “Hora Extraordinária”, ouviu-se ainda o angustiante “Tira As Lantejoulas”, “Actor Empenhado” e “Elefantes Azuis”, o tema mais popular e aplaudido da noite, ficando o resto do alinhamento dominado pelas músicas do novo álbum. Em “Cidade”, Tiago apresentou Rodrigo que também participou nas gravações de “Quadro”. Este novo elemento subiu ao palco e por lá se manteve nos dois temas seguintes como back vocal, regressando em “Cascatas” ainda antes do encore. Preocupado com os novos temas serem na sua maioria desconhecidos ainda, foi com satisfação que o Tiago e companheiros viram a melodia de “És Mais Sede” conquistar a audiência e “Veludo” a arrancar palmas desde o início, altura em que J.P. Mendes dos Capitão Capitão se juntou ao quarteto (quinteto contando com Rodrigo). Entre aplausos e apelos à compra do novo álbum (à venda no átrio do Ritz Clube), os Trêsporcento sabiam que tinham a noite ganha. Durante a pausa antes do encore o público pediu “só mais uma” em coro. No regresso, mais três temas a começar por “O Dia Em Que Esses Olhos Brilharam”, seguida de “Desgoverno” e finalmente “Espero” do EP de estreia. Quase hora e meia de concerto depois e volvidos dezoito temas, eis que os Trêsporcento dão por terminada a actuação. O alinhamento foi generoso: “Quadro” foi apresentado quase na íntegra, “Hora Extraordinária” esteve bem representado e nem mesmo O EP de estreia ficou esquecido. Entre groupies, amigos, familiares, admiradores ou simplesmente curiosos que se deslocaram ao Ritz Clube, o ambiente era de satisfação generaliazada. Mais do que missão cumprida, os Trêsporcento provaram no sempre difícil segundo álbum estar à altura de nomes já estabelecidos como Linda Martini, em relação aos quais poderão ser vistos como uma versão mais polida. A noite prolongou-se ao som da música indie, por entre dois dedos de conversa ouviu-se “An Honest Mistake” dos The Bravery.
A música dos Trêsporcento pode não ter a juventude dos Capitães da Areia, nem a espontaneidade do rock directo de Capitão Fausto. É mais madura e introspectiva, própria da “idade adulta que já não pode ser ignorada, ainda assim fintada”. O tom sofrido com que Tiago empresta a voz às letras é equilibrado pela melodia omnipresente, uma maravilha para os nossos ouvidos. Longe da promessa de 2009, os Trêsporcento afirmaram-se já como um dos valores seguros no novo rock português. Um segredo que aos poucos vai sendo revelado...
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Texto: Bruno Vieira
Fotografia: Eugénio Martins















