BALLA

MUSICBOX - LISBOA
APRESENTAÇÃO DO ÁLBUM "CANÇÕES"
9 de Novembro de 2012
O MusicBox foi palco do concerto de apresentação do mais recente trabalho de Balla, projecto liderado por Armando Teixeira, que recentemente regressou aos discos com “Canções”. A busca pelo formato canção foi agora levada mais à letra por este aglutinador de influências, sendo a soul, a electrónica ou o pop de tons carregados apenas alguns exemplos que, ao longo dos anos, tem trazido para a sua música, à qual adicionou a dose certa de bom gosto, talento e criatividade. Experimentalista mas ao mesmo tempo prático, o resultado está à vista: cinco álbuns originais, mais uma compilação. Parece que foi ontem, mas já lá vão doze anos desde a edição do auto-intitulado álbum de estreia, desde então os Balla têm-se afirmado como um dos projectos mais interessantes e consistentes da nova música portuguesa.
As noites do MusicBox começam tarde e esta não foi excepção. Perante uma sala composta, o palco só ganhou vida faltavam vinte minutos para a uma da manhã. Coube a “Outro Futuro” a honra de abrir o concerto, provavelmente o tema mais popular e um verdadeiro clássico dos Balla. Mas a noite não seria em modo best-of, a começar pelos temas que se seguiram “É Como A Vida”, “Quebro” e “Uma Sede”, todos eles de “Canções”. Enquanto o primeiro remete para o electropop de Michael Cretu, “Uma Sede” soa a banda sonora de Twin Peaks. Recuando a “Equilíbrio”, ouviu-se “Ao Deus Dará” (de autoria de Miguel Esteves Cardoso), com os Sétima Legião na memória. Seguiu-se uma sucessão de novos temas com destaque para “Natureza Humana” e novamente a electrónica 80s em “Construí Ruinas”, intercalados com clássicos como “O Fim Da Luta” e “Tudo (Em Queda Livre)”. Antes do encore, Armando Teixeira apresentou a banda e agradeceu a todos por terem vindo, “Vamos tocar a última música”, disse. Seguiu-se “Montra”, entre o ritmo do baixo e as guitarras a lembrar X-Wife, o público sentiu-se tentado pela dança. Depois de uma curta pausa, mais dois temas novos, “Ossos” (escrito em conjunto com Joaquim Albergaria) e para finalizar “Quebro” em repeat.
Do alinhamento, destaque inevitável para os temas de “Canções”, sendo os restantes de “Equilíbrio” (2010) e “A Grande Mentira” (2006), para além do inédito “Tudo (Em Queda Livre) de 2008. Nenhuma referência aos dois primeiros álbuns dos quais gostaríamos de ter ouvido uma ou outra música. Ao longo da noite Armando Teixeira manteve a habitual postura sóbria e reservada. A única “extravagância” digna de registo deu-se enquanto interpretava “Natureza Humana”, afastou o blusão e exibiu a t-shirt. Contido nas palavras, ainda assim aproveitou para promover o seu último trabalho que pode ser descarregado legal e gratuitamente através do site da Optimus Discos. É esta aparente ausência que adensa o ambiente dos concertos de Balla e mantém a distância certa entre o músico e o seu público. Atributo apenas ao alcance de artistas de excelência, cuja presença mais do que escutar, também se sente.
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Texto: Bruno Vieira
Fotografia: Eugénio Martins















