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20º Super Bock Super Rock: dia 3

20º SUPER BOCK SUPER ROCK

Dia 2 (19 de Julho de 2014)

 

Tributo a Lou Reed (PT)

 

         A recente perda do grande artista que foi Lou Reed, em 27 de Outubro de 2013, levou à preparação de um concerto de tributo ao mesmo a cargo de Zé Pedro (Xutos) e amigos convidados. Nomes como João Pedro Pais, Lena de Água, Paulo Furtado (The Legendary Tigerman), Tomás Wallenstein (Capitão Fausto), Jorge Palma e Frankie Chavez prestaram homenagem a Reed, interpretando tanto temas a solo como trabalhos dos Velvet Underground. Podemos rever Rock n’ Roll, Waiting For The Man, I Love You Suzanne, Sunday Morning, Vicious, Femme Fatale, Sweet Jane, Perfect Day e White Light/White Heat. Mas as melhoras atuações ficaram a cabo de Wallenstein com Venus In Furs e no final quando todos os artistas se reuniram para Walk On The Wild Side.

 

Time For T (PT/UK)

 

         Outra banda recente e de valor no palco Antena 3, esta com o vocalista principal (Tiago Saga) português, mas os restantes membros oriundos do Reino Unido. Têm vindo a dar concertos ora cá, ora lá e a encantar quem os vê. Com uma voz e um som muito caraterísticos e únicos, apresentam um estilo de misturas de afrobeat, indie folk e rock. Já possuem dois EPs lançados (Dream Bug e Mongrel), embora somente nos UK e na internet, e vão lançar um terceiro. Tocaram músicas como Phone Sex e Free Hugs já bastante conhecidas pelo público, e outras igualmente boas que ficámos a conhecer.

 

Albert Hammond Jr.

 

         O dia com o lineup do palco principal mais seguro. No palco principal temos o guitarrista dos The Strokes a solo, que volta a pisar um palco português desde o Sudoeste em 2007, mas, infelizmente, o público português não recebeu bem Albert. Tal como noutros concertos dos outros dias no palco Super Bock Super Rock ainda durante o dia, a plateia parecia adormecida. Uma sonoridade de garage e punk rock, que por vezes faz lembrar um Hamilton Leithauser (The Walkmen) mais maduro e menos explosivo em palco, sempre com o toque de Strokes bem presente, devia entusiasmar mais. Para além de tocar músicas dos dois álbuns lançados em 2006 e 2008, o vocalista apresenta o seu mais recente trabalho (o EP AHJ de 2013) e duas covers, Last Caress (The Misfits) e Ever Fallen In Love (Buzzcocks) que lá conseguiu despertar um pouco os festivaleiros. No entanto, quero acreditar que muita boa gente vai procurar a discografia de Albert Hammond Jr. e vai ser conquistada.

Skaters

 

         No seguimento do concerto de Albert Hammond Jr. nada melhor do que Skaters no palco EDP, uma nova banda nova iorquina com o único álbum lançado ainda este ano (Manhattan), que também tem um som similar a The Strokes. E não podiam ser mais opostos a Albert. A energia e entrega em palco, também em parte pela sua frescura e juventude, e um som bastante mais cru e nu, leva o público jovem ao delírio. Se a noite estava fria, aqueceu logo! Qualquer uma música apresentada, mas especialmente Deadbolt, I Wanna Dance (But I Don’t Know How) seguida logo por Nice Hat e ainda Miss Teen Massachusetts, explodiram o Meco. E ainda houve tempo para uma cover muito bem conseguida de This Charming Man (The Smiths). Para a primeira vez em Portugal, deliraram com o público português e vice versa. Uma boa surpresa que merece visitar-nos novamente e brevemente, e que dessa vez atuem ao mesmo tempo que andam de skate. Merecem destaque nas novidades do rock atual.

 

The Kills

 

         Dois anos após a sua vinda a Portugal, o duo de Jamie “Hotel” Vince e Alison “VV” Mosshart encontram-se a preparar um novo álbum que será lançado ainda este ano, mas não mostraram material novo. Apoiando-se no álbum mais recente (Blood Pressures de 2011), mas passando um pouco pelos outros três CDs, a setlist, tocada num habitual cenário com padrão de tigre, pareceu mais curta do que realmente foi (talvez porque o que é bom, acaba depressa). Desta vez, os artistas de skinny jeans não se encontravam sozinhos como habitualmente o fazem, mas apoiados por duas coristas e dois percussionistas, apoios esses que eram desnecessários mas que trouxeram outras dinâmicas. O apoio do público falhou um pouco, exceto quem se encontrava perto do palco. No entanto, pudemos ver uma grande entrega e uma intensa relação e partilha entre o duo, com riffs espetaculares por parte de Jamie e uma energia invejável de Alison, que nunca esteve parada no palco e ainda deu algumas guitarradas. U.R.A. Fever, Heart Is A Beating Drum, DNA, Tape Song  e No Wow  foram as músicas que falaram mais alto.

 

Foals

 

         Um dos concertos do dia foi dado por Foals. Com uma discografia espetacular, a setlist foi concentrada especialmente no seu mais recente trabalho Holy Fire, um dos melhores álbuns de 2013, com My Number, Milk & Black Spiders, Late Night e Inhaler a mexer com os festivaleiros, mas não esqueceram Spanish Sahara do álbum Total Live Forever, Balloons e outras velhas preciosas de Antidotes. Todo o trabalho luminosos ajudou à loucura e entrega da banda e do público. O vocalista Yannis, o principal maluco, fez crowd surfing, twice, sendo que no primeiro começou a tocar os acordes de Providence em cima dos fãs antes de saltar para cima deles. É um espetáculo a repetir.

 

Oh Land

 

         Entre os concertos mais mexidos de Foals e Kasabian, deu para relaxar um pouco e repor o açúcar no sangue com a voz doce de Nanna Øland Fabricius, agora com o cabelo curto e cor de smurf. A artista dinamarquesa sentiu-se em casa pois já tinha pisado o palco EDP em 2012. Entre músicas velhas, acompanhadas pelo público um pouco reduzido mas dedicado, e músicas novas, fez-se magia numa noite mais fria.

 

Kasabian

 

         O aquecimento já tinha sido feito por Foals, mas com Kasabian o termóstato passou dos limites. Com um álbum acabadinho de sair do forno este ano conseguiram criar uma setlist que misturava músicas novas como bumblebeee, stevie, eez-eh e treat, com velhos clássicos como Shoot the Runner, Underdog, Days Are Forgotten e L.S.F. (Lost Souls Forever) muito adorados pelos fãs. No final da música Empire, o vocalista Tom Meighan agradece com um conveniente Lisbon you are an empire thank you, de braços abertos. Meighan namoriscou bastante com as mulheres do público durante todo o concerto, até houve um momento em que disse there are very handsome people... good women... sorry I’m not married, louvando-as com uma cover arrepiante de Praise You (Fatboy Slim). Os artistas adoraram o público, tanto que corresponderam ao amor que lhes foi dado... para além de Eddie Vedder, foram a única banda a dar encore, encore esse com músicas também bastante conhecidas: Switchblade Smiles, Vlad the Impaler e Fire. E como isso sabia a pouco, Tom despede-se com um All You Need Is Love (The Beatles), enquanto Sergio Pizzorno não resiste e salta do palco e vai cumprimentar todo o público nas grades. Cedo voltarão, e a esse concerto não faltamos não!

 

         E assim se fez história no 20º Super Bock Super Rock. Até para o ano!!


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Texto: Irina Silva

Fotografia: Rúben Viegas




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