Dave Matthews Band: Meo Arena

Dave Matthews Band

Meo Arena

11 de Outubro de 2015

Emoção de mestria musical. Dave Matthews Band em Lisboa.

Apreciar o tempo e desfrutar o momento, são conceitos bem familiares a quem gosta de Dave Matthews e da banda que, apesar de alterações impostas pelo tempo e pela vida, o acompanha há quase 25 anos. É por isso seguro afirmar, que depois das 2 anteriores passagens por Portugal, a primeira em Maio de 2007 e a segunda em Julho de 2009, a espera de 6 anos pelo dia 11 de Outubro de 2015, reunia um misto de ansiedade e excitação, ao mesmo tempo que se sabia ser uma noite memorável para mais tarde recordar.
O espectáculo que deu o pontapé de saída à tournée europeia tinha sido anunciado como um set duplo, no qual a banda faria a sua própria primeira parte, e por isso já se adivinhava o que acabou por acontecer.
Uma noite interminável no melhor dos sentidos. 3 horas e meia ao todo de concerto (com 30 minutos de intervalo), uma oferenda de músicos que vivem para tocar ao vivo e receber de volta a emoção, de quem vibra com cada nota e cada tom. A Dave Matthews Band não repete alinhamentos, transforma e reinventa canções e torna cada momento, numa jam musical da melhor categoria. Mestria em palco é pouco para definir o que acontece, quando aqueles músicos se juntam.
Mas adiante, à cronologia do que se viveu na MEO Arena, sob a pena deste texto ficar do tamanho do concerto. Passavam 15 minutos das 20h quando soaram os primeiros acordes e um recinto bem composto (15200 pessoas são os números da organização), recebeu em extâse Dave Matthews e os seus companheiros. Tim Reynolds na guitarra, Boyd Tinsley no violino, Rashawn Ross no trompete, Jeff Coffin no saxofone, Stefan Lessard no baixo e o incomparável Carter Beauford na bateria. A primeira parte do espetáculo arrancou com “Warehouse”, uma canção incluída no álbum de estreia Under The Table and Dreaming (1994) que acabou por dar o mote a uma noite muito focada nesse mesmo trabalho. Neste “prelúdio” seguiu-se a nova “Black and the Blue Bird” que deverá estar incluída no próximo registo da banda e houve ainda momento para “Dancing Nancies”, “Stay or Leave”, “Belly Belly Nice”, “Lover Lay Down” e os verdadeiros hinos “Crush” e Satellite. Uma entrada que finalizou com a mítica “Grey Street” e que por si só,
já muito satisfez os presentes.
Porém, havia ainda muito para dar e receber, e meia hora depois, Dave Matthews regressou a palco, para servir o prato principal. Em formato acústico, ao piano, houve “Death on The High Seas” e “Litle Red Bird” para depois continuar já com Tim Reynolds e a sempre bem acolhida “Bartender”. Com toda a banda seguiram-se 11 temas de tirar o fôlego e oscilar entre sentimentos tão díspares como a saudade, a plenitude, a esperança e consciência social. “Seek Up”, “Don`t Drink the Water”, “#41”, “So Much To Say”, “Anyone Seen the Bridge”, “Too Much”, “If Only”, “What Would You Say”, “Jimi Thing”, “Pantala Naga Pampa” e “Rapunzel”.
A refeição não estaria completa sem o encore, e depois de uma introdução com “Kill the Preacher”, os milhares de fãs que não foram derrotados pelo tempo, degustaram uma das mais emblemáticas canções da Dave Matthews Band. “Ants Marching” assinalou o final da maratona de mestria musical e assegurou a marca de uma noite que fica para sempre. Ainda que haja sempre alguma música por tocar “Não chores porque acabou, sorri porque aconteceu” . E sorrisos não faltaram.

Texto: Tânia Gaspar
Fotografia: Rúben Viegas

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