Feist: Coliseu de Lisboa

FEIST

 Feist--4

COLISEU DE LISBOA

18 de Março de 2012

“O meu nome é Fernando Pessoa”. Foi desta forma que o irlandês Fionn Regan se apresentou perante um Coliseu completamente esgotado e na expectativa de assistir ao concerto de Feist. Durante cerca de trinta minutos, o músico e a sua guitarra desfilaram alguns temas perante a indiferença duma plateia que aguardava impacientemente por Feist.

Por volta das 22:05h, Leslie Feist faz a sua grande entrada em palco acompanhada das Mountain Man, o trio feminino que acompanha a cantora nesta tour. As duas horas seguintes demonstrariam o porquê do sucesso desta artista, num espectáculo que se pode vir a revelar como um dos melhores do ano de 2012.

O início do concerto viria provar que a canadiana iria promover até à exaustão o mais recente álbum, Metals de 2011. Undiscovered First, A Commotion, Graveyard, How Come You Never Go There foram apresentados em palco de uma assentada, com o público a evidenciar que o novo trabalho de Feist foi pelo menos tão bem recebido como os anteriores. As influências dos Broken Social Scene, banda da qual fez parte no passado, estão bastante patentes em Metals. Sem nunca desprezar a sua característica voz doce, os novos temas são desprovidos de contornos tão pop como os anteriores. A música de Feist parece agora mais introspectiva, honesta e madura.

Ao longo do espectáculo, Leslie Feist foi cativando cada um dos presentes. Se a imagem sexy de uma rapariga empunhando uma guitarra ajuda, a postura cool revelada durante todo o concerto faz o resto. A cantora foi incansável na comunicação com os presentes: houve espaço para coreografias, momentos musicais improvisados e devidamente partilhados com todos; houve tempo para brincar chamando realeza ao público dos camarotes e plebe à plateia. A multidão acolheu com entusiasmo a simpatia da artista, e foi com um expressivo “Vocês são do c******!” que Feist retribuiu o carinho do Coliseu.

Mushaboom, My Moon My Man e I Feel It All foram recebidos por todos em ambiente de delírio. As versões distanciavam-se bastante do que estamos habituados a ouvir nos respectivos álbuns. Também aqui as interpretações assumiram contornos menos pop, com a canadiana a exceder-se (num bom sentido) na guitarra e a aproximar-se dum rock bastante agradável em alguns momentos.

Na recta final, e antes dos devidos encores, Feist volta ao álbum Metals, desfilando os temas Anti-Pioneer, The Bad in Each Other, Comfort Me e Get IT Wrong, Get it Right perante uma plateia já completamente rendida à artista.

O primeiro regresso ao palco resultaria em mais um momento de comunhão com o público presente. A artista fez-se acompanhar das Mountain Man e da sua guitarra, dispensando microfones e cantando para todos num ambiente bem intimista. The Limit to Your Love (tema da artista celebrizado por James Blake), Sealion e Let it Die foram os temas que se seguiram.

No entanto, um segundo encore impunha-se e a maior parte dos presentes não abandonava o Coliseu. Feist voltaria ao palco e, bem ao seu estilo, contaria um episódio do dia anterior que serviria de mote para o momento que se seguia. A cantora passeava por uma praça de Lisboa quando foi abordada por um casal que lhe quis ensinar uma música. Feist corresponderia ao gesto com uma chamada ao par para apresentarem o tema em palco. Nervosismo à parte, Imagine de John Lennon foi entoado por todos em uníssono, num momento certamente marcante para os intervenientes. Secret Heart e Intuition foram os temas que viriam a dar por encerrada a actuação.

O regresso de Feist a Portugal (quase 4 anos volvidos sobre a sua actuação na Aula Magna) não poderia ter sido mais brilhante. Ainda que a hora já fosse tardia, muitos eram aqueles que desejavam que o momento se prolongasse por mais algum tempo. A artista provou que a sua maturidade não veio ofuscar a doçura que já lhe é característica e deixou uma plateia completamente arrebatada que abandonou a sala com a clara noção de que tinham acabado de assistir a um dos grandes momentos musicais de 2012.

FIONN REGAN

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